Ao agarrar a maçaneta, sabendo que estavas do outro lado da porta, o meu coração bateu mais forte. E foi aí, quando a minha vida se tornou uma novela melosa de fim de tarde, que me apercebi que estava irremediavelmente apaixonada por ti.Já não havia nada a fazer, pensei. Tal e qual uma trágica comédia romântica barata, também eu tinha logo de apaixonar pelo único rapaz que nunca iria sequer olhar para mim. O meu príncipe não tão encantado. Tu. Tu que me pedes que não te tome como certo. És instável, eu sei. Já perdi a conta às vezes em que quase disseste que me amas. Mas as palavras acabam por não sair. O medo engole-as e prende-as dentro de ti, o calor do momento esfuma-se por completo. Não me queres magoar, eu entendo. Mas deixa-me dizer-te que me proteges demasiado. "Eu já sou uma menina crescida, até já sei atar as sapatilhas sozinha". Sou tão mais forte do que julgas, meu amor. Há anos que espero por ti. Há anos que te amo a tempo inteiro quando tu apenas consegues amar-me em part-time. Isto quando consegues, claro. Há momentos em que sou a mulher da tua vida. Porém, como não há arco-íris sem chuva, há outros em que nem te importa a minha existência, aliás, incomoda-te. E custa-me, admito. Mas custar-me-ia muito mais não te ter. Suspiro. Ainda há quem me diga para ter esperança. Até tu dizes que "um dia", "nunca se sabe . Mas lá porque um qualquer indivíduo conhece alguém que conhece alguém que amou e esperou durante imenso tempo até que um dia o objecto da sua afeição acordou certo que o amava (e viveram felizes para sempre), não significa que me vá acontecer o mesmo. Eles eram a excepção, eu sou a regra. E, sendo eu a regra, todo o tempo que esperei e espero por ti é, no fundo, tempo perdido. Perdido, perdidamente apaixonada. Já não dá, já não consigo crer em contos de fadas e histórias alheias. Para mim, there is no such thing as faith, and trust, and pixie dust. Tu até podes ser realmente um príncipe mas eu não sei se sou uma, quanto mais a tua princesa. Sou demasiado amarga para ser algo assim. Estou cravejada de defeitos e tenho o coração frio. No entanto, tu vais-me aquecendo a alma e limpando as lágrimas. Quais lágrimas? "As meninas grandes não choram". Parece que afinal não tenho assim tanta força, ela falha-me nas coisas mais simples, como acreditar. Parece que nunca conseguirei voar para a minha doce terra do nunca. A não ser, a não ser que consiga ser ainda mais forte. Sim, vou tentar ver o mundo com outros olhos, uns olhos mais cor-de-rosa e escassos em sentimentos negros. Talvez, "um dia" pois "nunca se sabe" eu me torne uma bela princesa. E aí, talvez possas por fim amar-me, para que a história de final de tarde que é a minha vida seja também uma excepção e simultaneamente um perfeito cliché, terminando com um vulgar "E viveram felizes para sempre". Talvez. Um dia. Nunca se sabe.